Este artigo científico tem como objetivo explorar as diversas aplicações da eletroanalgesia por meio do Estimulador Nervoso Transcutâneo (TENS) na fisioterapia, destacando seu papel no manejo da dor. Para isso, a revisão reúne estudos recentes e relevantes que investigam a eficácia do TENS em diferentes condições dolorosas. Dessa forma, busca-se oferecer uma visão abrangente e atualizada sobre seu uso clínico.

Introdução:
A dor é um sintoma comum em várias condições clínicas, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O TENS, dispositivo não invasivo que utiliza correntes elétricas de baixa frequência para modular a percepção da dor, tem ganhado destaque como uma ferramenta valiosa na prática fisioterapêutica.
Mecanismos de Ação da Eletroanalgesia com TENS:
O TENS atua por meio da estimulação elétrica de fibras nervosas periféricas. Como resultado, ocorre modulação da transmissão nociceptiva em níveis segmentares e supraespinhais. De acordo com a teoria das comportas (Gate Control Theory), a ativação de fibras aferentes de maior calibre pode inibir a condução dos estímulos dolorosos. Além disso, determinadas configurações estimulam a liberação de neurotransmissores, como endorfinas e encefalinas, que também contribuem para o efeito analgésico.
Os mecanismos específicos variam conforme o modo de operação utilizado. Enquanto o TENS convencional emprega altas frequências e baixa intensidade, o TENS de baixa frequência utiliza intensidades maiores com estímulo mais profundo. Por sua vez, o modo burst combina características de ambos. Assim, o profissional pode selecionar parâmetros adequados ao tipo e à origem da dor, promovendo maior personalização terapêutica.
Aplicações Clínicas :
Diversos estudos clínicos investigaram a eficácia do TENS em diferentes contextos. Por exemplo, pesquisas envolvendo dor lombar crônica demonstram redução significativa da intensidade dolorosa quando o recurso é associado a exercícios terapêuticos. Da mesma forma, pacientes com osteoartrite apresentam melhora funcional e diminuição da dor após protocolos estruturados.
Além dessas condições, há evidências favoráveis em quadros de fibromialgia e neuropatia periférica. Embora os resultados variem conforme metodologia e parâmetros utilizados, a maioria dos estudos aponta efeitos positivos quando o TENS integra um plano terapêutico multimodal. Portanto, o recurso não substitui outras intervenções, mas atua como importante complemento no controle da dor.
Protocolos de Tratamento:
A definição de protocolos adequados representa etapa crucial para otimizar os benefícios do TENS. Inicialmente, o fisioterapeuta deve avaliar o tipo de dor — aguda ou crônica —, bem como sua intensidade e localização. Em seguida, seleciona o modo de operação, ajusta a frequência e determina a duração da aplicação.
Além disso, o posicionamento correto dos eletrodos influencia diretamente o resultado clínico. Por essa razão, recomenda-se aplicar os eletrodos próximos à área dolorosa ou ao longo do trajeto nervoso correspondente. Ao longo do tratamento, o profissional deve reavaliar a resposta do paciente e, se necessário, ajustar os parâmetros. Dessa maneira, garante-se maior eficácia e segurança.
Considerações Éticas e de Segurança:
Paralelamente à aplicação técnica, é indispensável observar princípios éticos e medidas de segurança. Antes de iniciar o tratamento, o fisioterapeuta deve realizar avaliação clínica detalhada e obter consentimento informado do paciente. Além disso, precisa investigar possíveis contraindicações, como presença de marcapasso, lesões cutâneas na área de aplicação ou alterações sensoriais significativas.
Durante as sessões, o monitoramento constante assegura que o paciente tolere adequadamente a estimulação. Caso surjam desconfortos excessivos, o profissional deve ajustar a intensidade ou interromper o procedimento. Assim, prioriza-se a integridade e o bem-estar do paciente em todas as etapas.
Conclusão:
Em síntese, o TENS configura-se como recurso terapêutico relevante no manejo da dor em diferentes condições clínicas. Quando aplicado com base em avaliação criteriosa e protocolos individualizados, o método pode contribuir significativamente para a melhora da qualidade de vida dos pacientes. Contudo, a eficácia depende da correta seleção de parâmetros, da integração com outras abordagens fisioterapêuticas e do respeito às normas éticas e de segurança.
Portanto, a continuidade das pesquisas científicas permanece essencial para aprofundar o entendimento sobre seus mecanismos e ampliar sua aplicação clínica de forma fundamentada.
